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Dica de viagem Jordania

Ahlan Wa Sahlan –Bem - Vindos a Jordânia

A Jordânia é um país que me chama a atenção, e estava nas minhas pretensões de conhecer, desde a adolescência em função do filme Indiana Jones e a última Cruzada, principalmente por seu mais lembrado e renomado atrativo turístico - Petra, porém o país é muito mais que isso. Só conhecendo e deixando-se levar pelo clima, pelos aromas, sabores e paisagens cinematográficas que vamos ver que este destino incrustado entre dois mundos (Árabes e Judeus), tem muito mais a oferecer que só um único ponto a ser visitado.

Assim, com estes pensamentos na memória de Petra, Rota das Especiarias, cruzadas, mundos e civilizações perdidas e com a lembrança de filmes filmados na região tais quais Lawrence of The Arabia e Indiana Jones, embarco para uma deliciosa e segura aventura de 10 dias por cidades milenares, desfiladeiros estreitos de  geologia colorida, deserto com conchas marinhas e mares de suma beleza.

1° Dia – Amã:

Chegar a Amã foi uma grata surpresa, pois possui um moderno e cômodo aeroporto. Um aeroporto a altura de um país que quer se inserido no mundo com um grande destino turístico. Os tramites de entrada são rápidos e sem burocracia, assim como pegar as malas na alfândega.

A cidade de Amã é uma cidade de médio porte de 2 milhões de habitantes, mas com jeito de cidade grande, com o seu trânsito conturbado, ruas de comércio e bazares vibrantes, shoppings centers de nível internacional, restaurantes cosmopolitas e hotelaria variada com todas as grandes cadeias hoteleiras,  tais como Marriott, Hyatt, entre outras. Minha visão foi de uma cidade viva e alegre com pessoas nas ruas, comercio agitado e trânsito intenso.

Amã é uma cidade de prédios baixos e brancos cujos primeiros assentamentos humanos datam de 8.500 AC. A cidade foi dominada por Assírios, Nabateus, Romanos, Bizantinos e Árabes. Em Amã como disse o guia jamais terá metrô, pois a cada centímetro escavado descobre-se um sítio arqueológico. Suas ruínas na parte alta da cidade, a assim chamada cidadela é uma fração da história, mas dali se tem uma bela vista da cidade e de suas 7 colinas. Colinas estas que os romanos viam com semelhança as de Roma, por isso a designaram como sua capital na região.

2° Dia – Amã:

            Hospedado em um dos hotéis 5* da cidade, assim como nas demais cidades por onde passei,  com todo o conforto do mundo ocidental, pudemos aproveitar o melhor do café da manhã ao estilo ocidental e o melhor da gastronomia do mundo árabe. Logo após sai para conhecer a histórica cidade de Jerash. Um impressionante sítio arqueológico que guarda de forma ímpar as ruínas da antiga cidade das 1000 colunas. Nela há o portão dado como presente pela passagem do Imperador Adriano, o Anfiteatro de acústica impecável, a praça do mercado com suas colunas, o Cardo e suas colunatas, assim como os templos. Tudo esta muito bem preservado e ruínas assim só vi em Pompéia ou na Turquia. Em minha opinião com a destruição da Síria e Iraque ruínas de cidades do período grego-romano desta magnitude só podem ser vistas na Itália, Turquia, Grécia e Jordânia. A tarde visitamos um marco da historia entre católicos e muçulmanos durante as cruzadas – o Castelo de Ajlun. Bem preservado e com quadros explicativos em inglês se pode ter uma noção da importância e relevância desta fortaleza no mundo antigo. Aqui percebemos que a história nos ensinam nas escolas ocidentais não são tão verdadeiras e fiéis ao que de fato ocorreu, pois há um cômodo do castelo que põe em cheque as guerras por religião.

3° Dia – Amã / Monte Nebu / Petra:

Deixamos a capital do Reino da Jordânia para trás e nos dirigimos à região do Monte Nebu para visitar o sítio arqueológico onde Moisés viu a terra prometida e aqui se supõe que morreu. Há um pequeno museu, mas o que encanta a todos os que por ali passam são os mosaicos em uma das vistas mais impressionantes do vale do Rio Jordão. De um lado Jordânia, do outro Israel. Logo após seguimos a Madaba, pequena cidade onde visitamos o museu de história e seus mosaicos, o comércio rico em artesanato e o parque arqueológico que possui o famoso mapa de mosaico localizado na Igreja Greco Ortodoxa / Igreja Católica que mostra as antigas e primeiras rotas de peregrinos em busca dos lugares sagrados para os primeiros cristãos.

Ao final da tarde, fomos brindados com uma pequena “degustação” do que teríamos no dia seguinte. Visitamos a Pequena Petra. Uma pequena cidade do mesmo período de Petra e mesma construção, porém menor. A cidade já encanta e a descida da estrada principal até ela nos possibilita ver paisagens de tirar o fôlego do vale onde está a Pequena Petra e a “Grande“ Petra.

À noite nos hospedamos no Marriott Pedra e a vista que se tem deste hotel, do bar e da piscina são simplesmente magníficas. É de tirar o fôlego e deixar qualquer fotógrafo, mesmo que amador como eu, louco, pois o efeito do sol se pondo com a noite que avança pelo vale a dentro, misturado ao silêncio e pouca luz da cidade, dá um efeito de paraíso, de plenitude e de uma paz estarrecedora. O brindar a vida com uma boa cerveja da cervejaria Petra, ou com champagne, vinho ou qualquer que seja a bebida é uma obrigação. Na Jordânia mesmo sendo um país muçulmano, nós estrangeiros podemos beber livremente nos hotéis e restaurantes.

4° Dia -  Petra / Deserto de Wadi Rum

            Hoje é o grande dia, mas já não tão grande, pois as demais belezas vistas também encantam e marcam. Bom, o caminho até o sítio arqueológico de Petra se pode fazer a pé como eu fiz, de mula ou de charrete. A pé é muito mais interessante, pois podemos parar em cada rincão, em cada entrada da pedra para apreciar os entalhos feitos pela natureza através do efeito da chuva, sol, neve e vento ou pela mão humana que fez esculturas. Ao chegar perto do “Tesouro”, o símbolo máximo da cidade, o corpo estremece pela imponência, pelo charme, pela delicadeza e suavidade de uma construção que impacta, mas, que ao mesmo tempo paina na rocha.  Claro, nem tudo são flores, os camelos, os vendedores ambulantes e o transitar das charretes e turistas, tira um pouco do momento sublime, pois não há tanto espaço para cultuar tal obra. Entretanto, o “Tesouro” é só uma parte do que a cidade esconde através dos desfiladeiros e vales. Há muito mais, há uma hora e meia à duas horas de caminhada do “Tesouro” ao último ponto, o Templo Egípcio, passando por teatros, templos, casas, cavernas e construções faraônicas e tudo, mas tudo talhado na pedra.  Aos que querem mais aventura e explorar mais esta relíquia da humanidade, os guias locais convidam para uma caminhada de mais 1 hora e meia ao Monastério.  Uma construção tão ou mais imponente que o “tesouro” só que em cima de uma montanha de onde se pode ver uma bela paisagem da região.

Ao fim do dia, depois de duas horas de deslocamento, acreditando ter visto tudo, embarcamos em um 4X4 a fim de visitar as entranhas do grande e majestoso deserto de Wadi Rum. Muito antes dos tempos bíblicos, a península arábica era o leito de um mar antigo, que desapareceu rapidamente, para padrões geológicos, com o fim da era glacial. Desta forma ao revirar alguns cantos, achamos restos de conchas e ao ver as paredes de pedras e montanhas percebemos a presença de pequenos fósseis marinhos. Há também antigas pinturas rupestres que mostram a passagem no homem pela região desde os tempos imortais. E, como um banquete final aos olhos, somos convidados sentar em um sopé de uma pequena duna e apreciar o show de luz e sobra do pôr do sol. Uma dança única, um apagar das luzes movendo-se palmo a palmo até o horizonte, quando em fim a lua surge lindamente acompanhada de estrelas. Com a alma lavada continuamos ao nosso acampamento, onde passaríamos a noite.

Os acampamentos disponíveis no deserto de Wadi Rum possibilitam aos que se hospedam um mínimo de conforto, porém os mais exigentes recomenda-se continuar até Aqaba e hospedar-se em um dos hotéis 4* ou 5*. Acampar no deserto deve-se ter em mente e como objetivo curtir algo diferente, ver como vivem os locais e ter uma experiência única.  As noites nos acampamentos são divertidas e alegres, pois há pessoas do mundo inteiro e o céu noturno é cheio de estrela.   

5° Dia - Wadi Rum / Aqaba:

            De Wadi Ruma a Aqaba é 1 hora de ônibus por uma autoestrada relativamente moderna, porém congestionada por caminhões que entram e saem de Aqaba, único porto da Jordânia e por onde passam tudo que exportam e importam. Ao chegar a Aqaba, cidade de porto livre, impressiona pela proximidade com Israel, pois a Estrada é quase a fronteira. Aliás aqui fazem fronteira a Arábia Saudita, Israel, Egito e Jordânia. Em Aqaba, para nós brasileiros, o que encanta é o mar, um azul limpo e calmo. Aqui para os amantes do mergulho e/ou snorkeling é uma festa, pois há vários serviços para os que querem mergulhar e descobrir o porquê do significado do nome do Mar Vermelho. Ao mergulhar o visitante encontrará um mar calmo e límpido onde poderá apreciar arrecifes de corais e o coral vermelho que da nome ao mar.

            Ao cair do dia, um passeio interessante é visitar o Mercado de Aqaba e suas ruas vibrantes, tomar um suco típico da região e apreciar os árabes negociando tâmaras, azeitonas, frutas, especiarias e tabaco.  O cheiro e o aroma das lojas de especiaria são envolventes e inesquecíveis, e a possibilidade de provar as especialidades árabes como doces e frutas secas faz do cair da tarde uma experiência sensorial fascinante.

6° Dia – Aqaba / Mar Morto:

            Saindo de Aqaba por uma autoestrada rumo ao norte, passamos por paisagens extremamente desérticas até chegar à região do mar morto e ver aquela imensidão de água sem vida, sem ondas e cheio de sal. No meio do tarde ele fica branco pelo efeito do sol forte que faz com que o sal quase bóie. Os resorts a beira do mar Morto são deslumbrantes e de um requinte e conforto impressionantes. Todos tem mais de um restaurante, tipo de “villa” para se hospedar, de piscinas e atrações. Mas, a grade atração são os spas que eles oferecem com todos os tratamentos para o corpo com base na lama do mar morto e água do mar. Todos os resorts são de frente para o mar e dão a possibilidade do viajante experimentar a lama na sua pela e banhar-se no mar.

7° dia – Mar Morto:

            Pela manhã saímos cedo para visitar onde hoje se acredita e a Unesco acaba de ratificar, dando a este lugar titulo de patrimônio da humanidade, o local sagrado onde Jesus cristo foi batizado por João Batista. O interessante desta visita, que para mim foi à última, é que a Jordânia é muito citada no antigo testamento, os guias sempre falam do período histórico do antigo testamento, e o nascimento de Jesus e o batizado dele, são o ínicio do novo testamento. Assim visitar o lugar do batizado por último ficou para mim como um convite a visitar Israel, palco principal do novo testamento, até porque neste ponto da visita ficamos a 4 metros de distância de Israel, só o pequeno e fino Jordão nos separa. Do lado Israelense se vê toda uma estrutura e do lado jordaniano a estrutura é simples e impactante, pois se vê ruínas da primeira igreja e as ruínas de uma cruz. A simplicidade é intencional, pois quer promover e dar espaço a energia e espiritualidade do local.

            De volta ao hotel, ainda cedo da manha e com o sol ainda calmo, fui até a beira do mar morto e experimentei a famosa lama do mar morto e depois a inigualável sensação de nadar no mar. Nadar é um termo estranho a ação de estar dentro da água, pois pela densidade da água exageradamente salgada e amarga, o nosso corpo boia, paira, flutua, e quando tentamos afundar ou nadar não conseguimos. É sensacional e é único no mundo. Neste planeta enorme só ali podes ter esta sensação.

A tarde e a noite foi a vez de alimentar o corpo e não a alma, pois os restaurantes dos hotéis são muito bons, com cardápios variados e internacionais.

8° Dia – Mar Morto / Amã:

            Logo cedo, fiz o check out e meu transferista me levou ao aeroporto, pois chegou ao fim esta viagem. Dos hotéis desta região ao aeroporto Internacional de Amã são no máximo 40 minutos. No caminho refletindo sobre este destino e a região em que ele está inserido, me impressionou o quão calmo e seguro é a Jordânia, em nenhum momento senti insegurança ou algo parecido. E no fim, já abordo do voo de regresso e olhando pela janela a imensidão de terra, mar e deserto, me passou pela cabeça um pensamento de que se os governantes do mundo, os que tomam as decisões, viajassem como nos relhos comuns, e pudessem curtir a adversidade deste mundo de forma tão genuína e encantadora como a Jordânia nos possibilita, com certeza não haveria tantas guerras.

ONDE COMER:

AMÃ – Vila kan Zaman

Antiga mansão ao estilo local, hoje transformada em restaurante onde servem a mais típica comida jordaniana.

ONDE SE HOSPEDAR:

AMÃ – Marriott Amã

            Gran Hyatt Amã

            Crowne Plaza

PETRA – Marriott Petra

              Moevenpick Petra

              Intercontinental Petra

MAR MORTO – Moevenpick Mar Morto

                        Kempisnki ishtar Mar Morto

                        Jordan Valley Marriott

O QUE COMPAR:

 - Quadros de mosaico.

 - Cosméticos a base de água e lama do mar morto.

 - Artefatos de cerâmica.

 - Trabalhos em metal, pedra e cerâmica.

 - Sais de banho

QUANDO IR:

 - Final de Abril e maio e depois em setembro, outubro e novembro.

No verão (de junho a agosto) é muito quente podendo chegar a 45° graus facilmente, o que deixa a caminhada em Petra comprometida.

No inverno (de dezembro a março) pode ser bastante frio. Inclusive pode nevar em Aqaba, e sendo um destino que tem muitas atividades externas, ao ar livre, frio pode dificultar algumas visitas.

DOCUMENTAÇÃO:

             - Brasileiro não necessita de visto, só passaporte válido por no mínimo 6 meses e não há cobrança de taxas de visto que são concedidos no próprio aeroporto, desde que sua viagem tenha sido adquirida por uma operadora local. Caso contrario há o custo de U$ 60,00 por passageiro.

 

                       

 

 

 

 

Fotos